O livro de Catherine
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quarta-feira, 27 de novembro de 2024
quarta-feira, 20 de novembro de 2024
A MINHA AVÓ DIZIA.....
"A minha avó dizia-me que quando uma mulher se sentisse triste, o melhor que podia fazer era entrançar o seu cabelo; de modo que a dor ficasse presa no cabelo e não pudesse atingir o resto do corpo. Havia que ter cuidado para que a tristeza não entrasse nos olhos, porque iria fazer com que chorassem, também não era bom deixar entrar a tristeza nos nossos lábios porque iria forçá-los a dizer coisas que não eram verdadeiras, que também não se metesse nas mãos porque se pode deixar tostar demais o café ou queimar a massa. Porque a tristeza gosta do sabor amargo.
domingo, 17 de novembro de 2024
segunda-feira, 11 de novembro de 2024
Diálogos de Paul Claudel e Marie - Madeleine
Paul
Capitale de la Douleur
Marie - Madeleine
Agora é o nada .
Dentro de mim tudo se esgota . Feito robot , estou sem coração , nem sequer artificial . Não há batimentos no peito . Cicatrizes abertas sangram tudo . Até a capacidade da dor . Essa não- dor é excruciante , tortura que se renova a cada segundo de vida .
O que resta ?
Talvez memórias . De um tempo onde dragões amavam princesas e derrotavam cavaleiros . Ou o contrário .De um tempo onde o Sol girava ao redor da Terra e da Lua . Ou o contrário .
De um tempo onde todos os rostos eram meus . Ou o contrário .


sexta-feira, 8 de novembro de 2024
DIALOGOS DE SOPHIA DE MELLO E MARIE-MADELEINE
SOPHIA
AS ROSAS
Quando à noite desfolho e trinco as rosas
E como se prendesse entre os meus dentes
Todo o luar das noites transparentes,
Todo o fulgor das tardes luminosas,
O vento bailador das Primaveras,
A doçura amarga dos poentes,
E a exaltação de todas as esperas.
MARIE MADELEINE
" de quais esperas falamos tu e eu?
daquelas que nunca foram desejadas?
ou, quem sabe, daquelas que nunca foram esperas?"
domingo, 3 de novembro de 2024
REVISITANDO FERNANDO PESSOA, A ALMA, by Angela
Hoje de alma pura, tenho os olhos diferentes. Sou eu e ainda um outro , em imagem feita no espelho . Aos poucos, desapareço e me componho de novo . E de novo . E outra vez .
Deito no mundo de sorriso largo e aberto , surpreso da não angústia . Sons , cores e formas girando ao redor , atravessando minha silhueta em arco íris colorido . E mais do que tudo , sereno . A calma de fora é como um bálsamo para esta revolta que levo dentro . Me entrego como aprendiz ao Mestre e à dádiva de paz que recebo dele .
Ele em mim mostra uma face estranha e calma . Calma ? Surpreso , sacudo dos ombros o peso de tudo . Estou imóvel ouvindo a fala mansa que tenho e não sabia . Pastoreando um rebanho que nunca foi meu . O Mestre me reflete como o pai que não tive e busquei por todas as minhas vidas .
Sou eu tão Velho e tão Jovem na tranquilidade de noites que são dias e dias que são noites , simplesmente passando , passando e tornando a passar .
Grama verde , flor amarela , pássaro azul . Ou seria grama amarela , pássaro verde , flor azul ? Quem sabe ? Agora os posso conhecer sem o orgulho de ser Criador e por isso estou leve , leve , cada vez mais leve . Flutuo e penetro na essência do Universo que é meu , cada célula pulsando brilhante e viva , crescendo de fora para dentro .
Sensação desconhecida e nova , prazer simples de existir .
Ele me ensinou o segredo . E eu ? Eu o matei em mim , esgotado dessa

Alberto Caeiro era um dos mais famosos heterônimos de Fernando Pessoa , que ele começou a utilizar em 1914 e a imprimir em 1925. Em sua biografia fictícia , Alberto teria nascido em Lisboa , em 16 de abril de 1889, e falecido em 1915. E viveu a maior parte da sua vida em uma vila do Ribatejo .
REMOINHOS, by ACCB, CLEOPATRA MOON
Escorre o tempo entre os ponteiros do relógio e a curva da sombra dos dias
O Sol precipita-se nas ruas de Lisboa
Ainda há pouco cheguei e já sinto a tarde na Rua do Arsenal
Tudo muito súbito
Tudo muito rápido desde 2007- 17 anos
Iguais, repetitivos, mas cada vez mais vertiginosos
E nem eu ligo a isto
Não são só os indiferentes que não ligam
Não são só os intelectuais que não ligam
Não são só os que só têm uma vida que não ligam
Também eu, que sinto as vidas que vivo e as que ainda quero viver,
pareço alheia à vertigem do tempo
É só quando o sol, ao fundo, na Rua do Arsenal
se pinta de dourado e quente
que, antes de entrar no carro, vejo que já me custa tanta calçada portuguesa e
tantos dias iguais às pedras de Lisboa
Conheço-as todas pela luz da sombra dos dias
Imagem by Larry P Nice
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Tu te souviens le raisin Raoul ? Comme c'était bon ? - Pourquoi penses-tu au raisin subitement ? - Je ne sais pas pourquoi je pensais au...


