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sábado, 2 de novembro de 2024

Um olhar de Sophia de Mello Breyner Andresen

Apesar das ruínas e da morte ,

Onde sempre acabou cada ilusão ,

A força dos meus sonhos é tão forte ,

Que de tudo renasce a exaltação

E nunca as minhas mãos ficam vazias .

Evohé Bakkhos

Evohé deus que nos deste

A vida e o vinho

E nele os homens encontraram

O sabor do sol e da resina

E uma consciência múltipla e divina .

Jardim

Alguém diz

“ Aqui antigamente houve roseiras “-

Então as horas

Afastam - se estrangeiras ,

Como se o tempo fosse feito de demoras .

Niobe transformada em fonte

Os cabelos embora o vento passe

Já não se agitam leves . O seu sangue ,

Gelando , já não tinge a sua face .

Os olhos param sob a fronte aflita .

Ja nada nela vive nem se agita .

Os seus pés já não podem formar passos ,

Lentamente as entranhas endurecem

E até os gestos gelam nos seus braços -

Mas os olhos de pedra não esquecem

Subindo do seu corpo arrefecido

Lágrimas lentas rolam pela face ,

Lentas rolam , embora o tempo passe .

As ondas quebravam uma a uma

Eu estava só com a areia e com a espuma

Do mar que cantava só para mim .

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