ABDICAÇÃO
Rebelde indomada, mordo a vida aos pedaços
Os dentes rangem, sôfregos de carne e sangue
Apertados com ânsia tamanha roendo por dentro
Viro e reviro a cabeça tal qual cadela em coleira de diamantes
Cristalina e pesada
Narinas dilatadas, peito rasgado aberto ao céu
Grito pedido preso no olhar
Tempestade feita de mim em um apego calado
Onde está o meu troféu?
Já não força da Natureza, fera enjaulada em prece
Não ouço palavras magicas de voz grave
Não me tocam mãos suaves de carinho
Boca molhada resseca devagar, corpo se fecha como flor sem pétalas
A dor sufocada espreita ferina e inquieta
Rindo um riso louco, desenfreado
Da guerreira tornada princesa em um gesto antes altivo
agora submisso
Eis-me de joelhos, armas postas, rosto indiferente
Rendo homenagem ao anjo invisível
Que deixa escorrer pequena lagrima em sua face de cera
dura e fria
Calmaria feita de mim em ruído ensurdecedor
Onde esta o meu troféu?
( No alto, entre os oceanos, um poema nascido de tantas distâncias. A primeira vez que eu soube sentir palavras)
ANGÈLIQUE DUVALLIER


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