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sexta-feira, 1 de novembro de 2024

ABDICAÇÃO, by Morgana


 ABDICAÇÃO

Rebelde indomada, mordo a vida aos pedaços

Os dentes rangem, sôfregos de carne e sangue

Apertados com ânsia tamanha roendo por dentro

Viro e reviro a cabeça tal qual cadela em coleira de diamantes

Cristalina e pesada

Narinas dilatadas, peito rasgado aberto ao céu

Grito pedido preso no olhar

Tempestade feita de mim em um apego calado

Onde está o meu troféu?

Já não força da Natureza, fera enjaulada em prece 

Não ouço palavras magicas de voz grave

Não me tocam mãos suaves de carinho

Boca molhada resseca devagar, corpo se fecha como flor sem pétalas

A dor sufocada espreita ferina e inquieta

Rindo um riso louco, desenfreado

Da guerreira tornada princesa em um gesto antes altivo

agora submisso

Eis-me de joelhos, armas postas, rosto indiferente

Rendo homenagem ao anjo invisível

Que deixa escorrer pequena lagrima em sua face de cera

dura e fria

Calmaria feita de mim em ruído ensurdecedor

Onde esta o meu troféu?


( No alto, entre os oceanos, um poema nascido de tantas distâncias. A primeira vez que eu soube sentir palavras)


ANGÈLIQUE DUVALLIER


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